Preços das casas sobem 16,5% em Portugal, enquanto número de transações recua

Redação Diário Lusitano
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Os preços das casas em Portugal aumentaram 16,5% no segundo trimestre de 2026, face ao mesmo período do ano anterior, enquanto o número de habitações transacionadas diminuiu 6,4%. Os dados constam do Índice de Preços da Habitação divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) a 22 de setembro de 2026.

Entre abril e junho, foram negociadas 40.142 habitações em território nacional. A evolução mostra um mercado marcado por uma valorização expressiva dos imóveis, mas também por uma redução no volume de operações. Para quem procura comprar casa, o cenário traduz-se numa maior pressão sobre o orçamento e numa oferta de negócios efetivamente concretizados mais limitada.

Valor das transações aumenta apesar da queda no número de negócios

O valor total das habitações transacionadas no segundo trimestre alcançou 10,7 mil milhões de euros. O montante representa um crescimento homólogo de 4,2%, embora o número de imóveis vendidos tenha recuado. A subida do valor movimentado indica que os preços mais elevados compensaram parcialmente a redução na quantidade de operações realizadas.

Esta diferença entre o número de transações e o valor global é um dos principais sinais do período analisado pelo INE. Houve menos compras e vendas, mas cada operação ocorreu, em média, num contexto de preços mais altos. O indicador é relevante para famílias, proprietários, investidores e empresas ligadas à actividade imobiliária, sem permitir, por si só, atribuir a evolução a uma causa isolada.

Habitações usadas registam valorização mais acentuada

A subida dos preços foi observada tanto nas habitações existentes como nos imóveis novos, mas com intensidades diferentes. As casas usadas registaram um aumento homólogo de 18% no segundo trimestre de 2026. Já os imóveis novos tiveram uma valorização de 12,3% em comparação com o mesmo período de 2025.

Na comparação com o primeiro trimestre do ano, os preços das habitações avançaram 3,6%. O resultado trimestral reforça a dimensão da valorização registada ao longo do ano, embora os dados apresentados não detalhem os factores específicos que terão influenciado o comportamento dos preços em cada região ou município.

A diferença entre imóveis novos e existentes também oferece uma leitura sobre a composição do mercado. Enquanto a habitação usada apresentou a maior subida anual, os imóveis novos continuaram a registar uma variação positiva. Para os compradores, ambas as categorias ficaram mais caras, ainda que em ritmos distintos.

Famílias concentram maioria das aquisições

As famílias adquiriram 34.935 habitações no segundo trimestre, correspondentes a 87% do total de transações. Estas compras representaram 9,3 mil milhões de euros, o que confirma o peso das famílias no mercado residencial português durante o período em análise.

Os compradores com domicílio fiscal fora de Portugal realizaram 1.890 aquisições, equivalentes a 4,7% do total. Este número corresponde a uma diminuição de 10,3% face ao segundo trimestre de 2025. Os dados mostram, assim, uma redução das compras efectuadas por não residentes, num trimestre em que a valorização dos imóveis prosseguiu.

A informação sobre o domicílio fiscal permite distinguir uma parcela do perfil dos compradores, mas não explica, isoladamente, a evolução geral do mercado. O levantamento do INE apresenta os números das operações e dos valores movimentados, sem estabelecer uma relação causal única para a subida dos preços ou para a redução das transações.

Impacto para quem procura comprar casa

Para as famílias que pretendem comprar habitação, a combinação de preços mais elevados e menor número de transações representa um contexto de acesso mais exigente. O aumento anual de 16,5% coloca a evolução dos preços no centro da análise sobre a capacidade de compra, o financiamento e o esforço necessário para adquirir um imóvel.

Proprietários e investidores, por outro lado, observam uma valorização significativa dos activos residenciais. Para o sector da construção e para a actividade imobiliária, a diferença entre o crescimento dos preços e a descida do número de negócios constitui um indicador importante sobre o ritmo efectivo do mercado, embora não permita antecipar sozinho a sua evolução futura.

Os resultados referem-se exclusivamente ao Índice de Preços da Habitação do segundo trimestre. O calendário estatístico do INE identifica a avaliação bancária da habitação como uma operação distinta, pelo que os dados agora divulgados não devem ser confundidos com os valores atribuídos pelos bancos em processos de financiamento.

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