Falar em cloud dá a impressão de que os dados de uma empresa flutuam algures num espaço abstrato, sem uma localização física. Na prática, cada serviço na cloud funciona dentro de um centro de dados real, com servidores, cabos, sistemas de refrigeração e geradores de energia instalados num edifício situado num determinado ponto do mapa. Toda a discussão sobre transformação digital acaba por depender desta estrutura física, que raramente surge nas conversas sobre estratégia tecnológica.
O especialista em tecnologia, software e inteligência artificial, Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, destaca que compreender o funcionamento dos centros de dados ajuda as empresas a tomarem decisões mais informadas sobre onde e como crescer, em vez de tratarem a infraestrutura como uma caixa-preta que simplesmente funciona sozinha a todo o momento.
Porque é que o centro de dados continua a ser a base física de qualquer sistema na cloud?
Um centro de dados reúne milhares de servidores organizados em filas, com sistemas de energia redundante, refrigeração constante e ligações de rede de altíssima capacidade. Quando uma empresa contrata um serviço na cloud, está, na verdade, a alugar espaço dentro desta estrutura física, partilhada simultaneamente com muitos outros clientes, sem ter de gerir qualquer detalhe operacional da mesma.
A divisão de responsabilidades entre o fornecedor e o cliente é o que permite que pequenas empresas tenham acesso ao mesmo padrão de infraestrutura das grandes empresas, sem terem de replicar internamente o investimento que uma estrutura desta dimensão normalmente exige. Manter um centro de dados próprio requer um investimento que poucas empresas conseguem justificar, enquanto recorrer à estrutura de um fornecedor de serviços cloud permite aceder ao mesmo nível de robustez por uma fração do custo.
Como é que a redundância entre centros de dados evita que uma falha local interrompa a operação?
Nenhum centro de dados está imune a falhas: cortes de energia, problemas de refrigeração ou até catástrofes naturais podem deixar uma unidade inteira inoperacional numa questão de minutos. Por esse motivo, os fornecedores mais robustos distribuem os mesmos dados e sistemas por diferentes centros de dados, muitas vezes localizados em regiões geográficas distintas, para que a falha de um deles não implique a interrupção do serviço como um todo.
O especialista em tecnologia, software e inteligência artificial, Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, salienta que esta redundância é o que separa uma indisponibilidade de alguns minutos, quase impercetível para o utilizador final, de uma interrupção de várias horas, que pode ter custos elevados em vendas perdidas e na perda de confiança por parte dos clientes.

De que forma a localização dos centros de dados afeta a velocidade sentida pelo utilizador?
A distância física entre o centro de dados e o utilizador influencia diretamente o tempo de resposta de qualquer sistema, mesmo quando existem ligações rápidas à Internet. Um pedido que percorre milhares de quilómetros até ao servidor mais próximo demora mais tempo a regressar do que um que percorre apenas algumas centenas, mesmo que o processamento propriamente dito seja instantâneo do lado do servidor.
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira enfatiza que as empresas com utilizadores distribuídos por várias regiões beneficiam de fornecedores com centros de dados geograficamente distribuídos, uma vez que esta proximidade reduz a latência sentida sem exigir qualquer alteração ao código da aplicação.
Porque é que a escolha do modelo de infraestrutura determina o ritmo de crescimento?
Optar por um centro de dados próprio, por colocation ou por um fornecedor de cloud pública não é apenas uma decisão técnica; é uma decisão que determina até que ponto a empresa consegue crescer sem se deparar com limites físicos de infraestrutura ao longo do percurso. Cada modelo apresenta um equilíbrio diferente entre controlo, custos e velocidade de expansão.
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira refere que as empresas numa fase de crescimento acelerado tendem a beneficiar mais dos fornecedores de serviços cloud precisamente devido à elasticidade, enquanto operações sujeitas a requisitos regulamentares específicos podem, por vezes, necessitar de um modelo mais controlado, mesmo que isso implique abdicar de parte dessa flexibilidade.
