Dados da nPerf colocam Portugal apenas atrás da Áustria numa lista de países com território comparável, refletindo anos de investimento na expansão da rede móvel de nova geração
Portugal ocupa a segunda posição num ranking que compara a utilização da rede 5G entre países com dimensão territorial semelhante, de acordo com dados divulgados esta terça-feira pela nPerf, plataforma internacional especializada em testes de velocidade de internet. Segundo o estudo, 43,3% dos acessos à internet feitos através da plataforma da nPerf em Portugal utilizaram a rede 5G, um valor apenas superado pela Áustria, que lidera o grupo com 48,2%.
Para muitos utilizadores, este tipo de dado levanta uma dúvida imediata, afinal, o que significa exatamente esta percentagem e até que ponto reflete a experiência real de quem usa o telemóvel no dia a dia em Portugal. A resposta exige alguma cautela, porque a própria nPerf faz questão de esclarecer que estes valores medem apenas a proporção de acessos realizados em 5G dentro da sua própria plataforma de testes, não correspondendo diretamente à percentagem da população ou do território efetivamente coberta por esta tecnologia. Ainda assim, o indicador é considerado relevante para perceber tendências de adoção entre diferentes países.
Como se posiciona Portugal face a outros países europeus
Depois da Áustria e de Portugal, o ranking divulgado pela nPerf inclui a Eslováquia, com 41,8% de acessos em 5G, seguida da República Checa, com 41,7%, e da Irlanda, com 41,1%. Mais abaixo na lista surgem a Croácia, com 40,3%, e a Grécia, com 39,9%, enquanto a Bulgária regista uma quota consideravelmente mais baixa, de 26,4%. No extremo oposto da tabela está a Tunísia, onde apenas 13,5% dos acessos à internet feitos na plataforma foram realizados através da rede 5G.
Este posicionamento de Portugal não surge isolado nem por acaso. O país tem vindo a investir de forma consistente na expansão da infraestrutura de rede móvel de nova geração ao longo dos últimos anos, um esforço que já se refletia em dados anteriores divulgados pela Autoridade Nacional de Comunicações. Segundo números do Portal 5G, até ao final do primeiro trimestre de 2026, as estações de base 5G já cobriam a totalidade dos 308 concelhos do país e cerca de 76% das freguesias, permitindo que cerca de 6 milhões de acessos móveis fossem feitos através desta tecnologia.
Porque é que este resultado importa para quem usa internet móvel em Portugal
Muitos utilizadores poderão perguntar-se se este tipo de ranking tem impacto direto na sua experiência diária de navegação. A resposta está relacionada com a forma como a cobertura de rede se traduz em velocidade e estabilidade de ligação, sobretudo em zonas urbanas e ao longo de eixos rodoviários e ferroviários mais movimentados. Quanto maior a proporção de acessos feitos em 5G, menor tende a ser a dependência de redes mais antigas, como o 4G, o que normalmente se reflete em tempos de resposta mais rápidos e maior capacidade para suportar aplicações exigentes, como transmissão de vídeo em alta definição ou videochamadas em qualidade elevada.
A expansão do 5G em Portugal tem sido, nos últimos anos, particularmente acentuada em áreas metropolitanas e ao longo da faixa litoral, onde se concentra a maior densidade populacional do país. Ainda assim, a cobertura tem vindo a alargar-se progressivamente a zonas do interior, um processo que a Comissão Europeia associa diretamente aos objetivos da chamada Década Digital da União Europeia, que estabelece metas de conectividade avançada para todos os Estados membros. Este enquadramento europeu ajuda a explicar por que motivo Portugal tem sido, em diversas ocasiões, apontado como exemplo de progresso dentro deste tipo de comparações internacionais.
Vale ainda destacar que a adoção de redes 5G não depende apenas da existência de infraestrutura instalada pelas operadoras, mas também da disponibilidade de dispositivos compatíveis por parte dos consumidores. Nos últimos anos, o preço de smartphones com suporte a 5G tem vindo a descer de forma consistente, tornando esta tecnologia acessível a uma fatia crescente da população portuguesa. Este fator, combinado com o alargamento da cobertura geográfica, ajuda a explicar por que motivo a percentagem de acessos feitos em 5G continua a crescer de forma sustentada em Portugal.
O que esperar da evolução da rede móvel nos próximos anos
Apesar dos bons resultados já alcançados, o setor das telecomunicações continua a discutir os próximos passos da transição tecnológica. Segundo relatório recente citado pela Tek Notícias, a atenção da indústria está agora a concentrar-se na transição para o chamado 5G Standalone, uma arquitetura de rede que promete maior fiabilidade e capacidade para suportar serviços mais exigentes, nomeadamente os associados ao crescimento da inteligência artificial. Ao mesmo tempo, começam já a ser discutidos os primeiros contornos do 6G, embora a conclusão das normas técnicas para esta próxima geração de rede móvel esteja prevista apenas para 2028, com lançamentos comerciais a aproximarem-se de 2030.
Para o consumidor português, este tipo de evolução tecnológica deverá traduzir-se, nos próximos anos, em ligações ainda mais rápidas e estáveis, especialmente em zonas onde a cobertura de rede móvel ainda apresenta alguma irregularidade, como certas áreas do interior do país. A posição de destaque que Portugal ocupa neste ranking da nPerf reforça a perceção de que o investimento feito na expansão da rede 5G ao longo dos últimos anos tem produzido resultados visíveis, colocando o país num patamar comparável ao de economias europeias com características territoriais semelhantes. Resta agora acompanhar se esta tendência de crescimento se mantém nos próximos relatórios internacionais sobre conectividade móvel.
Fontes consultadas:
PCGuia
Portal 5G
Tek Notícias
