Encontro reuniu representantes de 37 países para debater governança, ética e uso responsável da IA nos sistemas de saúde
Lisboa foi palco, em 15 e 16 de julho, de um dos principais encontros internacionais dedicados à inteligência artificial aplicada à saúde. A Conferência Internacional de Alto Nível “Shaping AI in Health” foi organizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em articulação com o Ministério da Saúde de Portugal, decorrendo na Unicorn Factory Lisbon, no Beato Innovation District (fonte: Governo de Portugal).
Quem participou do encontro
A iniciativa reuniu ministros e vice-ministros da Saúde, altos representantes governamentais, especialistas, académicos e organizações internacionais de 37 países, representando as seis regiões da OMS. Entre os participantes estiveram representantes de Portugal, Brasil, Angola, Timor-Leste, Índia, Indonésia, Armênia e Sri Lanka, além de responsáveis do Banco Mundial, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), da Fundação Bill & Melinda Gates e da Universidade Aga Khan (fonte: Jornal Dentistry).
O programa dos dois dias de trabalhos
Os trabalhos preparatórios começaram já na segunda-feira anterior à conferência, com um workshop técnico internacional dedicado às oportunidades e aos desafios da inteligência artificial na saúde, reunindo investigadores, profissionais de saúde, organizações públicas e universidades. A conferência principal, nos dias seguintes, centrou-se na utilização ética, segura e responsável da IA para melhorar os sistemas de saúde, impulsionar a inovação e aumentar a qualidade dos cuidados prestados às populações (fonte: Portugal Global).
A participação do Brasil no encontro
O Brasil marcou presença significativa na conferência, com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participando da mesa-redonda “Strategic Leadership for Responsible AI in Health”, dedicada à liderança estratégica e aos mecanismos de governança para a inteligência artificial na área da saúde. Padilha também participou de um evento específico dedicado aos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), voltado a discutir estratégias de cooperação lusófona na transformação digital da saúde (fonte: Ministério da Saúde do Brasil).
Os temas centrais do debate
Segundo organizadores do encontro, a inteligência artificial já pode auxiliar médicos e sistemas de saúde na análise de exames, na organização de informações clínicas, na identificação de padrões e no apoio a decisões médicas. Por outro lado, o crescimento acelerado dessas ferramentas levanta questões sobre privacidade de dados, viés algorítmico e equidade no acesso à tecnologia, temas que ocuparam boa parte das discussões ao longo dos dois dias de conferência.
Por que Portugal foi escolhido como anfitrião
A escolha de Lisboa como sede do encontro reflete o papel que Portugal tem procurado assumir na promoção de debates sobre inovação e saúde no cenário europeu. A OMS, por sua vez, tem publicado orientações e alertas sobre a necessidade de criar salvaguardas antes da implantação em larga escala de sistemas de inteligência artificial, recomendando que os países invistam em literacia digital e em quadros de responsabilização para acompanhar o avanço da tecnologia (fonte: HealthNews).
O objetivo prático do encontro
Segundo a organização, o encontro pretendeu transformar o compromisso político em ações concretas que permitam apoiar os países na adoção de soluções de inteligência artificial adaptadas aos diferentes níveis de maturidade digital dos seus sistemas de saúde, promovendo simultaneamente inovação, qualidade dos cuidados e equidade no acesso à saúde entre nações com diferentes realidades tecnológicas.
O peso crescente do tema nas agendas governamentais
A presença de vários ministros da Saúde na conferência é vista por analistas como um sinal do peso que o tema já alcançou nas agendas governamentais em todo o mundo. Segundo especialistas ouvidos durante o evento, a rapidez com que a inteligência artificial avança nos sistemas de saúde tem exigido que governos e organismos internacionais acelerem a criação de quadros regulatórios, sob pena de a tecnologia se disseminar sem salvaguardas suficientes.
O que esperar da cooperação internacional em IA e saúde
Para os países participantes, a expectativa é que a conferência de Lisboa sirva de ponto de partida para uma cooperação mais estruturada em torno da governança da inteligência artificial na saúde, especialmente entre países lusófonos, que já sinalizaram interesse em reforçar parcerias específicas nessa área. O documento de consenso ou roteiro de ações concretas resultante dos dois dias de trabalhos deve orientar as próximas etapas dessa cooperação internacional nos próximos anos.
Fontes:
Governo de Portugal (conferência IA saúde): https://portugal.gov.pt/pt/gc25/comunicacao/noticias/inteligencia-artificial-na-saude-lisboa-recebe-conferencia-internacional-com-representantes-de-37-paises
Portugal Global: https://portugalglobal.pt/noticias/2026/julho/lisboa-recebeu-conferencia-internacional-sobre-ia-na-saude/
Ministério da Saúde do Brasil: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias-ms/2026/julho/em-lisboa-brasil-participa-de-conferencia-da-oms-sobre-inteligencia-artificial-aplicada-a-saude
