Novo sistema de correção eletrónica das provas do secundário gerou atrasos, petição com mais de nove mil assinaturas e debate de urgência na Assembleia da República
O ministro da Educação, Ciência e Inovação de Portugal, Fernando Alexandre, enfrentou semanas de forte pressão política e pública devido a falhas no processo de digitalização e classificação dos exames nacionais do ensino secundário. A crise levou o ministro a comparecer duas vezes na Assembleia da República em poucas semanas: primeiro num debate de urgência pedido pelo PCP, e depois numa audição na Comissão de Educação e Ciência (fonte: Executive Digest).
A origem do problema
Este ano marcou a primeira vez que a correção dos exames nacionais decorreu de forma totalmente digital em todas as disciplinas sujeitas a exame no ensino secundário. O processo, no entanto, não foi pacífico: professores classificadores relataram dificuldades na plataforma responsável pela correção, mesmo depois de um projeto-piloto realizado no ano anterior já ter apresentado falhas semelhantes (fonte: Jornal Económico).
O impacto nas provas dos alunos
As falhas técnicas na nova plataforma de correção afetaram a avaliação de mais de 300 mil provas, segundo dados divulgados durante a polémica. O Ministério da Educação chegou a estender o prazo para a correção por duas vezes, e o próprio ministro reconheceu, em conferência de imprensa, que parte das folhas de continuação em falta resultou de páginas em branco não digitalizadas por funcionários responsáveis, que consideraram, erradamente, que a digitalização não seria necessária nesses casos (fonte: MetaPROF).
A petição pela anulação dos exames
A insatisfação de pais e encarregados de educação resultou em uma petição pública pedindo a anulação dos Exames Finais Nacionais do Ensino Secundário de 2026, sem prejuízo para os alunos. A iniciativa ultrapassou a marca de nove mil assinaturas, superando o mínimo legal de 7.500 necessário para garantir debate obrigatório em sessão plenária na Assembleia da República. Segundo os signatários, os problemas no processo de correção põem em causa a integridade dos resultados e podem ter impacto psicológico e financeiro sobre as famílias (fonte: Jornal Económico).
As reações da oposição e dos sindicatos
A oposição acusou o ministro e o Governo de falhas no planeamento e na execução do novo sistema digital de correção. O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), José Feliciano Costa, chegou a afirmar que o ministro não teria condições para continuar a exercer a função, classificando o processo como conduzido “com amadorismo e sem plano de contingência”. Já as bancadas de partidos da coligação governamental elogiaram Fernando Alexandre por demonstrar, segundo eles, capacidade de continuar a reforma da Educação em curso no país (fonte: Jornal Económico).
A disputa sobre a data do debate parlamentar
A própria marcação do debate de urgência na Assembleia da República gerou controvérsia. Segundo a líder parlamentar do PCP, Paula Santos, o presidente da Assembleia e as bancadas do PSD e do CDS-PP defenderam inicialmente que a discussão não deveria ocorrer no dia seguinte ao debate do Estado da Nação, o que os comunistas classificaram como tentativa de dificultar o escrutínio das opções políticas do Governo na área da Educação.
A posição do Presidente da República
Diante da repercussão do caso, o Presidente da República exigiu publicamente a salvaguarda do princípio da igualdade no acesso ao ensino superior, pedindo uma resolução rápida dos problemas e alertando para a necessidade de manter a confiança da população no sistema de avaliação educativo, especialmente diante do impacto direto que os atrasos têm sobre a vida de milhares de estudantes que dependem dos resultados para ingressar na universidade.
O que o ministro respondeu às críticas
Apesar de reconhecer os erros e pedir desculpas a alunos, famílias, professores e escolas, Fernando Alexandre recusou alterar o calendário da primeira fase de acesso ao ensino superior, classificando essa recusa como uma “decisão política” cujos contornos ainda precisariam ser definidos pelo Júri Nacional de Exames. O ministro reconheceu que a solução pode exigir um esforço adicional dos professores responsáveis pela classificação das provas no início do próximo ano letivo.
O que esperar do processo daqui para a frente
Com a admissibilidade da petição pela anulação dos exames já garantida na Assembleia da República e o debate parlamentar em curso, a expectativa é que o Governo continue sendo pressionado a apresentar soluções concretas para milhares de pedidos de reapreciação de provas que devem surgir nas próximas semanas. Para o próximo ano letivo, o desafio do Ministério da Educação será demonstrar que o sistema digital de correção, mantido apesar da polémica, pode funcionar de forma mais estável em edições futuras dos exames nacionais.
Fontes:
Executive Digest: https://executivedigest.sapo.pt/ministro-da-educacao-ouvido-hoje-no-parlamento-apos-polemica-dos-exames-digitalizacao-erros-e-acesso-ao-superior-a-lupa/
Jornal Económico (críticas): https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/exames-nacionais-ministro-assume-erros-e-oposicao-critica-caos-na-educacao/
MetaPROF: https://metaprof.pt/exames2026/
Jornal Económico (petição): https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/peticao-pela-anulacao-dos-exames-nacionais-ultrapassa-nove-mil-assinaturas-e-segue-para-debate-parlamentar/
