Por que a gestão de riscos virou o fator decisivo nas grandes obras de infraestrutura no Brasil?

Diego Velázquez
5 Min de leitura
Elmar Juan Passos Varjão Bomfim

Elmar Juan Passos Varjão Bomfim mostra que poucas frases descrevem tão bem a infraestrutura brasileira quanto “a obra atrasou”. Rodovias que levam o dobro do tempo previsto, hospitais entregues anos depois do anunciado e empreendimentos que estouram o orçamento antes mesmo de ficarem pela metade compõem um histórico que o país conhece bem. 

Esse descompasso tem um nome técnico que saiu dos manuais e virou prioridade de gestão: risco. Antecipar o que pode dar errado, medir o impacto de cada incerteza e construir margens realistas de tempo e custo deixou de ser um detalhe do planejamento para se tornar o eixo em torno do qual as grandes obras são decididas. Continue a leitura e veja como essa lógica vem reorganizando, aos poucos, a forma de tocar empreendimentos de grande porte no país.

O Brasil das obras que não terminam no prazo

Como elucida Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, a lista de fatores que travam um empreendimento no Brasil é longa e conhecida. Licenciamento ambiental que demora mais do que o esperado, desapropriações que emperram, fornecedores que falham, chuvas fora de época e mudanças regulatórias no meio do caminho formam um repertório de surpresas que quase nunca é tratado com a seriedade que merece na fase de planejamento.

O ponto crítico não é a existência desses riscos (eles são previsíveis em sua maioria), mas a forma como são ignorados na largada. Quando um cronograma é montado supondo que tudo vai correr perfeitamente, qualquer desvio vira crise. A obra nasce frágil, sem folga para absorver o inesperado.

Onde os projetos descarrilam?

Estudos sobre grandes empreendimentos mostram um padrão recorrente: os problemas mais graves raramente nascem no canteiro. Como considera Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, eles começam nas decisões iniciais, quando escopo, prazo e orçamento são definidos com base em premissas frágeis. Um erro de avaliação na largada se propaga e se multiplica ao longo de toda a execução.

Elmar Juan Passos Varjão Bomfim
Elmar Juan Passos Varjão Bomfim

A subestimação de prazos costuma andar de mãos dadas com a subestimação de custos. Some-se a isso a tendência de tratar cada obra como única, sem aproveitar o aprendizado acumulado em projetos anteriores, e o resultado é um setor que repete os mesmos erros com roupagens diferentes.

Risco compartilhado: o que mudou nos contratos?

A evolução da gestão de riscos também reorganizou a relação entre quem contrata e quem executa. Modelos de contrato mais modernos distribuem responsabilidades de forma mais equilibrada, premiam o cumprimento de metas e criam incentivos para que ambas as partes joguem a favor do prazo, em vez de transferir culpas quando algo sai do previsto.

Essa lógica de risco compartilhado muda o comportamento dentro do canteiro. Quando construtor e contratante ganham juntos ao antecipar problemas, a transparência deixa de ser um risco reputacional e passa a ser vantagem. O imprevisto comunicado cedo é barato; o escondido até o limite é caro.

Para o setor de infraestrutura, esse amadurecimento contratual talvez seja tão importante quanto qualquer inovação de engenharia. Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, ex-presidente da OAS, destaca que esse amadurecimento vem ganhando força à medida que os grandes contratos brasileiros se sofisticam. Afinal, boa parte do que trava as obras nacionais não está no concreto, e sim nos acordos mal calibrados que as cercam.

Previsibilidade como novo padrão de qualidade

Elmar Juan Passos Varjão Bomfim resume que o futuro da infraestrutura brasileira será medido cada vez menos pela ousadia do projeto e cada vez mais pela capacidade de entregá-lo dentro do que foi prometido. Previsibilidade (de prazo, de custo e de qualidade) está se tornando o verdadeiro selo de excelência num mercado cansado de surpresas. Quem oferecer essa segurança ocupará espaço de forma natural. Esse novo padrão exige menos heroísmo de última hora e mais disciplina desde a primeira reunião de planejamento. É um desafio cultural antes de ser técnico, e quem o abraçar cedo larga na frente. 

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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