Esgoto a céu aberto afeta o solo, a água e a qualidade de vida

Chiara Delvani
6 Min de leitura
EBS - Empresa Brasileira de Saneamento

Uma vala de esgoto a céu aberto é geralmente encarada como um problema estético, que causa incómodo devido ao seu aspeto e odor. No entanto, esta perceção oculta uma série de consequências significativamente mais graves do que a imagem pode sugerir. A EBS – Empresa Brasileira de Saneamento – observa atentamente como a falta de recolha e tratamento adequados se traduz numa ameaça concreta à saúde e ao ambiente.

O Ministério das Cidades indica que a ausência de recolha e tratamento de esgoto favorece a disseminação de doenças, a degradação de massas de água e a perda de qualidade de vida em comunidades inteiras. Este efeito não é isolado, mas faz parte de um ciclo que tem início na ausência de infraestruturas e se propaga por diferentes dimensões da vida urbana, desde o solo até ao contacto direto das pessoas com o ambiente contaminado.

Compreender esta cadeia de acontecimentos é imprescindível para esclarecer as razões pelas quais o esgoto a céu aberto nunca constitui uma mera questão local ou setorial. Neste artigo, terá a oportunidade de compreender como este ciclo se desenvolve e por que razão a resolução do problema exige mais do que simplesmente retirar o esgoto da vista.

Da ausência de recolha à exposição direta

Na ausência de uma rede de recolha, o esgoto tende a seguir o percurso mais acessível disponível: escorre pelas ruas, acumula-se em terrenos baixos ou é lançado diretamente em ribeiros próximos. O contacto direto entre a população e o esgoto não tratado constitui o primeiro elo de uma cadeia de riscos que, em geral, se propaga para além do ponto de origem do problema.

EBS - Empresa Brasileira de Saneamento
EBS – Empresa Brasileira de Saneamento

Crianças que brincam em áreas próximas, moradores que necessitam de atravessar ruas inundadas por esgoto e famílias que dependem de água extraída de poços pouco profundos nas proximidades estão expostos a riscos de formas distintas, mas igualmente preocupantes. A exposição não exige um contacto direto e constante para representar um risco, uma vez que a contaminação se propaga pelo solo e pelo ar em determinadas condições. A EBS – Empresa Brasileira de Saneamento monitoriza, em regiões com este perfil, que esta exposição nem sempre é percecionada de forma direta, uma vez que não provoca sinais visíveis imediatos.

A contaminação ambiental afeta a saúde coletiva e o equilíbrio de rios e ribeiros

O esgoto que não é recolhido nem tratado compromete a qualidade do solo e das massas de água próximas. Além disso, verifica-se uma alteração do equilíbrio de rios e ribeiros que, frequentemente, continuam a ser utilizados pela própria comunidade para outras finalidades. Esta contaminação ambiental representa um elo entre o problema das infraestruturas e os seus impactos na saúde coletiva.

É importante salientar que retirar o esgoto da vista, recorrendo apenas a uma rede de recolha, não encerra o ciclo se esse volume não for encaminhado para uma estação de tratamento. A EBS – Empresa Brasileira de Saneamento reafirma que a recolha sem tratamento não constitui uma solução adequada para esta questão. Esta prática, embora possa isolar o problema durante um breve período, não resolve a situação de forma definitiva. O problema continua a afetar o ambiente a poucos quilómetros de distância.

Um problema que se mede pela qualidade de vida, não apenas pela cobertura

O impacto social deste ciclo manifesta-se de formas menos evidentes do que um diagnóstico médico. As comunidades que convivem com esgoto a céu aberto tendem a enfrentar restrições na utilização do espaço público, desvalorização dos imóveis e uma menor qualidade de vida no quotidiano, efeitos que se acumulam ao longo dos anos, mesmo sem produzirem estatísticas imediatas de saúde.

A EBS – Empresa Brasileira de Saneamento, ao analisar projetos de infraestruturas de saneamento, observou que a interrupção deste ciclo está condicionada à implementação de um sistema eficaz de recolha e tratamento. A simples instalação de tubagens, portanto, não é suficiente. Enquanto o esgoto permanecer em circulação, sem tratamento, entre o solo, a água e a população, o problema continuará a manifestar-se, ainda que de forma menos visível do que uma vala a céu aberto.

Os bairros que convivem há anos com esgoto a correr pelas ruas tendem a normalizar esta situação, o que dificulta ainda mais a mobilização em torno de soluções definitivas. Para que seja possível quebrar este ciclo, é necessário um planeamento contínuo, investimento na recolha e no tratamento, além de acompanhamento técnico responsável. Intervenções isoladas, que aliviam o problema durante um período limitado, não são suficientes. É esta combinação, mais do que qualquer obra pontual, que efetivamente distingue uma infraestrutura de saneamento funcional de uma solução apenas parcial para o problema.

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